domingo, 14 de novembro de 2010

Da janela




Distração.
Logo senti que era ilusão
o que vivi segura em suas mãos
que não sentia nada, nada.

Mas sorri
e seu sorriso me sorriu bem mais
enquanto eu via o que deixei aqui.
Por mim, ficava um pouco além do tempo
e bem ficava sem pensar em nada, nada mais.

Vejo o céu,
que é mais bonito quando visto assim,
de uma janela sem saber do frio que lá fora faz,
aqui faz muito mais.

Sem ter
outra paisagem que não fosse o azul,
e algumas folhas que cairam só,
tentando imaginar as cores ao redor...

Brilhava a escuridão.
E a lua a refletir,
cantava à solidão
que eu nunca hei de sentir!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nada como viver assim!



Nada como chegar em casa e ter o meu café! Pão derretendo a manteiga, quem não quer? Deitar no sofá, sem ter relógio pra impedir... Pouco que faz a gente sorrir! Nada como ter um minuto de música e poesia. Abraço de vó, sorriso de pai, silêncio e calmaria. Bicho brincando com gente, se misturando por ser igual... Vida de gente feliz, que tal? Nada como ficar sozinho, se olhar no espelho e ter companhia. Assoviar qualquer barulho, sentir o vento, viver o dia. Rabiscar algum desenho, rezar que nem criança... Tomar sorvete, comer pipoca, quem se cansa? Nada como olhar pra mim. Nada como pensar em mim. Sem me julgar, sem me importar... Nada como viver assim!

sábado, 3 de julho de 2010

Sempre primavera!


No verão eram as flores roubadas e as músicas soltas que tocavam no rádio.
No outono vieram as cartas que hoje formam o jardim mais lindo que já vi!
O inverno foi a junção de tudo; desde as pétalas do campo até as palavras e as músicas nunca ouvidas antes.
E a primavera? Ah, desde então minha vida é sempre primavera!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

P/A


A novidade assusta. Vem, traz o medo, surpreende e passa.
Passa o medo e com ele, o entusiasmo.
É a paixão; sempre instantânea... Acontece e já não é mais novidade.

Com o tempo vão-se os medos, o entusiasmo e as incertezas.
Fica o gosto bom do que não passou. Passou a paixão, ficou o amor.
Capaz de recriar instantaneamente qualquer sentimento e trazer com ele o mesmo entusiasmo e ainda mais surpresas.
Agora sem os medos e com uma certeza. (Talvez não a única, mas quem se importa?!)

Sem prazo algum, o amor.

A música para o amor.



A música traduz o que o amor, por si só, não conseguiria definir.
Responde enquanto o amor interroga.
A música acalma enquanto o amor pede pressa.
E é a voz de quando ele nos tira a fala. E o chão. E o ar.
O músico faz dela sua síntese, seu palco e o sentido pr'a seja lá o que for, e seja lá o que sinta, ainda sem se importar com o que lerão em suas frases.
O músico não se importa com o sentido que elas terão aos outros ouvidos, nem pede que eles tenham a sua intensa interpretação.
Ele só zela pelo seu dom e reza pr'a nunca perdê-lo, pois enquanto o romântico dedica sua poesia e com uma rosa descreve sua afeição, é cantando que o músico enfim se entende e traduz o amor em forma de canção.