quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os dias nublados da minha vida


Conversar com alguém ontem me fez recordar o tempo em que os poucos eram bons e nos bastavam. Estou falando de amigos.

Quando tinha meus 15 anos ou quase isso, tinha também a companhia de mais três mentes pensantes. Eram minhas aliadas, minhas cúmplices e vezes plateia, vezes o espetáculo dos meus dias. Qualquer motivo era necessidade e ali estávamos nós, voluntariamente juntas. Uma panelinha, como dizia o restante insosso do mundo. Se existisse dúvida, éramos a certeza de uma amizade concreta. Se existisse erro, sabíamos que sempre iríamos nos perdoar. Se existisse medo, era só comprarmos trakinas de morango, fazermos pipoca, alugarmos um filme e acamparmos numa das quatro casas, desfrutando da mesma liberdade que encontraríamos em casa, de fato. Se existisse alegria, e sempre existia, estávamos ali; rindo muito, de tudo. Muitas histórias... Algumas verdadeiras, outras idealizadas por nossa falta de obrigação com o relógio, mas sempre salvando algum aprendizado.

Certo dia decidi criar uma pasta que serviria de baú pra guardarmos todos os vestígios dessa amizade. Eram desde textos, cartas, ingressos para shows (até então inesquecíveis), entradas de cinema, papel de bala e toda aquela bobajada que adolescente acredita ser o melhor da vida (e de fato era), até fotos lindas e que conseguem até hoje trazer à tona todo aquele sentimento de eternidade que vivíamos até algum tempo! E mesmo ali, naquelas tardes sem muitas preocupações, meu sentimentalismo já mostrava as caras e meu gosto por contar histórias virava marca registrada.

As três começaram a reparar que em tudo o que eu contava havia um detalhe em comum: o clima. É, esse mesmo que diz se vai chover ou se o dia será amarelado de sol.
Passando o tempo e à medida que aumentava o número de "Era uma vez" ditos por mim, chegamos a uma conclusão: de que era só eu começar a contar alguma coisa pra ressaltar que aquilo havia acontecido num dia nublado. Porém, mais do que um detalhe de narração, percebemos que quando eu dizia isso, estava na verdade me referindo à saudade do acontecido ou do tempo que deu sentido àquela história (esquisitice digna de Lara, eu sei), mas nem me pergunte, porque eu também nunca entendi a necessidade de fazer sempre essa mesma analogia, rs!

O calendário foi correndo e com ele a coleção de dias nublados da minha vida só foi aumentando. Aos poucos fomos deixando de ser o 'quarteto fantástico’ e além de novos amigos, surgiram os namorados, um noivo. Começam então a serem escritas outras histórias, só que agora um pouco mais singulares. Os personagens foram mudando e com eles as nossas escolhas também. As mudanças foram se multiplicando: primeiro a escola, depois as faculdades, até morarmos hoje em cidades diferentes, as quatro! Nossas rotinas tomaram rumos completamente distintos e em pouco tempo cada uma começava a descobrir seu lugar no mundo. Não falo só de cidade, mas também de ideais.

Bom, seria hipocrisia da minha parte dizer que não acredito em vínculos eternos, porque eu realmente acredito. E não digo isso só por se tratar de amizade a longo prazo, mas porque se tratam de histórias fortes demais pra serem desestruturadas. E quer saber, acho até que deveriam ser contadas por aí... Quem sabe um dia?! Uma optou pela Engenharia, outra pela Odontologia e a última pela Medicina. É, acho que sobrou pra mim, mesmo. Não sei se tenho pinta de escritora, mas se um dia decidir escrever um livro, pelo menos já tenho o título, rs!

Hoje tenho mil histórias de dias nublados e não as conto sozinha. Contamos as quatro, sempre que dá, sempre que temos tempo pra isso ou sempre que esse tempo nos permite parar um pouco. Foram-se as tardes em que o relógio parecia estar em nossas mãos e acho que de tanto acreditarmos, num dia ensolarado, ele realmente esteve.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Vamos viajar?

Sabe o que é? Me deu uma vontade de embarcar no Trem das Cores de Caetano e sair por aí vendo a beleza nas coisas mais simples do caminho, por isso decidi registrar aqui! Em alguns momentos esse cenário é onde me refugio, seria por saudade da minha recente infância, quando a voz do meu pai ninava meu sono ou só mesmo pelo tédio de algumas tardes. Incrível o poder que a música tem de me transportar para os lugares e sentimentos mais distantes, sem mover um centímetro da minha preguiça. Consigo sair do lugar e do tempo em que estou, isso só de lembrar alguma melodia, cantarolar em pensamento, assoviar qualquer coisa.

Que a música tem certo poder sobre mim, isso não é nenhuma novidade, mas o que quero deixar claro é que mais do que me deixar inquieta, ela funciona como uma dose a mais à minha vontade de viver. Sim, eu tenho muita vontade de viver, viver o todo, aquilo que ainda não descobri e o que sonho diariamente (isso também poderia virar música, rs).

Até que pra quem não gosta de rotina e mesmices tenho me divertido bastante quando sintonizo em alguma rádio. Sou da era em que Jorge Vercilo insiste em reinventar o perfil Djavaneado da MPB e, desconsiderando os acordes que só o "guardião do açaí" consegue decifrar, são mesmo muito parecidos. Tá, ainda faço parte da grande legião que contribui com a extensa sequência de zeros na conta bancária do rei Roberto, ah ele é universal! Mas têm muitas coisas estranhas acontecendo... Mês passado estávamos comemorando o centenário de Noel Rosa e anteontem à noite, quando liguei a tv quem estava sendo entrevistado pela Marília Gabriela nem sequer conheceu a foto em preto e branco! "Família Restart", se apresentaram.

Não vou criticar, nem elogiar. A música deve mesmo ser renovada e a amplitude de seus significados merece atingir a todas as tribos e tendências. Os meninos são inteligentes, jovens e inquietos: em primeiro lugar, o músico não pode ser acomodado, ponto.

Dos coloridos e pouco simplistas só espero que mostrem mais do que cores. E fiquem sabendo que posso até ouvir falar muito de vocês, mas a paisagem vista da janela no trem de Caetano será sempre mais colorida e mais interessante que essa novidade toda. Pronto, falei! ;)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Inversa nostalgia


Pode parecer idiotice o que vou perguntar agora, mas tente ler até o fim...
Já sentiu saudade de algo que ainda não viveu? Muitas vezes me pego na falta de um filho que ainda não tenho, ou da casa de campo que ainda não construí, das músicas que ainda não compus e até mesmo das pessoas que ainda não encontrei. Sei que parece absurdo, exagero ou aquela coisa toda que vários cantores já previam em suas letras de difícil interpretação, mas acho que isso realmente existe!

Não sei se é uma ilusão restrita aos sentimentais ou se pode se espalhar pelo mundo, só sei que eu vivo constantemente, e sinto como se fosse natural sentir isso. Bom, na falta de resposta pra muita coisa, pego qualquer papel e começo a escrever algo que se relacione com o que estou sentindo. E incrivelmente ou não, sempre começo com alguma pergunta que soa como clichê. Não é pra despertar a curiosidade das pessoas, nem mesmo uma tentativa de conquistar novos leitores. Acredite: é só mais uma frustrante interrogação que, sozinha, sem compartilhá-la com o mundo, me faria pirar! E pode apostar: sempre tenho motivo pra isso, rs!

Minhas músicas, por exemplo, não gosto de cantá-las sem antes explicar a interpretação que quero como resposta dos que as escutam (apesar de saber que isso às vezes os afasta). E os textos não são muito distintos daqueles que coloco em melodias... Na verdade, em algum momento vou tentar musicá-los, previsível! Porque estou falando isso? Porque, mais uma vez, estou tentando preparar as pessoas e fazer com que entendam de fato o que quero dizer. No caso deste texto, chamo de inversa nostalgia tudo aquilo que considero planos e que já foram tão idealizados por mim, que a espera de que um dia tudo se torne real tem o mesmo peso de quando sinto saudade do que passou. (Complicado, eu sei) Em alguns momentos, -ou em quase todos-, isso se confunde em minha própria lógica, mas cá pra nós, quem aí consegue ter certeza de tudo? Na verdade, tenho uma confissão a fazer: nunca tenho certeza de nada! Como libriana ou como a sentimental invicta que sou, tudo pra mim é dúvida, mas é também esperado.

Hoje eu senti saudade de uma família feliz, num dia ensolarado de domingo (sempre ensolarado, porque dia nublado pra mim é sinônimo de angústia). Essa família ainda não está ao meu alcance: com 20 anos, no quinto período da faculdade, as pessoas costumam pensar em qualquer coisa, menos família. Não eu! Também senti saudade de uma estante repleta de livros que li na minha juventude e me vi nostálgica ali. (Detalhe: ainda estou vivendo minha juventude e não coleciono livros suficientes para encherem essa tal estante!) Em outro momento sinto saudade de pessoas que convivo diariamente, como se não as visse há algum tempo (isso ainda é nostalgia ou já é medo de perdê-las?).

Mais um texto. E mais uma prova concreta do meu sentimentalismo barato! Barato pra mim, mas certamente valioso pr'aquela mulher sorridente, indo comprar pão depois da missa e já pensando no que fará pr'o almoço de domingo; em que toda a família irá se reunir e rir desse e mais outros tantos textos escritos por ela, quando tinha seus vinte e qualquer coisa...

domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu dia feliz


O que é pra você, um dia feliz?

É sorrir o dia inteiro e não ter tempo de procurar um motivo pra isso? Ou é sorrir uma vez, ao menos, mas ter ali a certeza de que se lembrará daquele pequeno instante antes de dormir? Seja como for, isso te compensará com uma noite tranqüila de sono.

Sinceramente não sei me responder. Há dias em que tudo me faz gargalhar e tenho a impressão de que nada será capaz de ofuscar meu sorriso. Em outros dias pareço estar mais distante da felicidade e em algum detalhe, simples que seja, sinto-me o ser mais feliz do bairro, da cidade ou até mesmo do planeta! Ser feliz é a utopia do triste. E assim será até que este descubra a felicidade num amor verdadeiro, num abraço sincero ou num café fresco!

A felicidade é invisível como o amor, a razão ou a fé. Tudo o que sentimos é resultado do que vivemos ou do que almejamos viver e, nem sempre será palpável. Mas assim como o meu dia hoje, algumas vezes a felicidade é tão bem vivida que parece me tocar; seja pela força com a qual me contagia ou pelo meu desejo de carregar nas mãos tudo o que vivi. Talvez seja cuidado, ou mesmo o medo dessa tal alegria passar e, assim como os sonhos, cair no esquecimento junto com todos aqueles dias felizes que já tive na vida. Um dia feliz acho que é aquele que vou tentar reviver de outras mil maneiras e que sei, será sempre um novo dia pra mim.

Ok, não tem jeito, eu vou continuar procurando novos conceitos, ideias e outras infinitas formas de tornar o meu dia feliz! Vai um pão quentinho?!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Só mais um defeito meu



Eu queria não ligar, não me importar, pensar um pouco mais em mim. Ser mais racional ao sentir, falar bem menos que ouvir, pra escutar melhor a razão. Eu queria ter controle pra te pausar quando não soubesse o que dizer. Ter ainda um roteiro que dissesse primeiro o mal que iria me fazer. Pra me preparar e te parar, antes que fizesse aquilo que me causa dor. Pra me convencer e entender que este é só mais um defeito meu: esperar que hajam como eu...